UM Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2022, rejeitou a proposta de Termo de Compromisso apresentada pelos envolvidos em um Processo Administrativo que investigava operações fraudulentas no mercado de capitais.
O caso envolve suspeitas de irregularidades na terceira emissão de cotas do fundo Brazil Realty FII, um fundo de investimento imobiliário. Nomes como Daniel Vorcaro, o Banco Máxima — renomeado Banco Master em 2021 — e outros sócios do fundo, entre eles o pai de Daniel, Henrique Vorcaro, e o primo, Felipe Vorcaro, estão ligados ao caso.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Daniel Vorcaro, além de ser sócio da SAF do Atlético Mineiro, também administra um fundo de investimento do clube e, com outros sócios, adquiriu a mineradora Itaminas, anteriormente pertencente à família de Cristiano Paz, ex-operador do Mensalão no governo Lula.
Em 2023 o Banco Master lucrou R$552 milhões.
Em 2024 o Master achou razoável alugar um escritório em Miami por R$350 milhões, além de R$150 milhões por um escritório em Londres.
Isso tem nome geométrico pic.twitter.com/7qjwm0agbf
— Felippe Hermes (@Felippe_Hermes) 1 de abril de 2025
No final do ano passado, Manga Guidoex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilmafoi contratado como consultor pelo Banco Master, que foi posteriormente vendido ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 2 bilhões.
No total, o processo, obtido com exclusividade pelo portal iG, envolve nove suspeitos, dentre eles pessoas físicas e instituições financeiras.
Os principais nomes citados foram: Antônio Carlos Freixo Júnior, Daniel Bueno Vorcaro, Felipe Cancado Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, Banco Máxima S.A., Entre Investimentos e Participações Ltda., Milo Investimentos S.A., MG I Desenvolvimento Imobiliário SPE Ltda. e Viking Participações Ltda.
O Banco de Brasília (BRB) salvou o Banco Master da bancarrota. A instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal comprou, de Daniel Vorcaro, o controle acionário do Master por R$ 2 bilhões. Esse era o valor que o Banco Central exigia para a capitalização do Master.
– Vicente Nunes (@VicenteNunes) 28 de março de 2025
A acusação aponta para a realização de operações fraudulentas que configuram infração à Instrução CVM 08/79. Segundo a investigação, essas infrações envolvem manipulação no mercado secundário e uso de ativos questionáveis para a integralização do fundo.
Banco Master propôs acordo de R$ 3 milhões à CVM
Na intenção de encerrar o caso sem admissão formal de culpa e, assim, evitar denúncia criminal, os envolvidos propuseram à CVM o pagamento de R$ 3 milhões, distribuído entre as partes.
A proposta de Termo de Compromisso previa, entre outros aspectos, pagamentos individuais de cada um dos acusados e um compromisso de elaborar um novo laudo de avaliação dos ativos usados na integralização das cotas do fundo.
Essa história está cada vez mais estranha…
O BTG quis assumir as dívidas do Banco Master e ofereceu 1 real pelo banco.
Daí vem um banco estatal BRB e oferece 2 bilhões para comprar um banco endividado⁉️Foi o Mantega que fez o Due Dilligence⁉️ pic.twitter.com/imnntd71kx
– ℹ️iaragb 🐒💨l🌻👉🇧🇷 (@iaragb) 31 de março de 2025
Os valores foram distribuídos da seguinte forma:
- Antônio Carlos Freixo Júnior: R$ 200 mil
- Entre Investimentos: R$ 300 mil
- Banco Máxima, Daniel Vorcaro e Viking Participações: R$ 1 milhão
- Milo Investimentos, MG I SPE, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro: R$ 1,5 milhão
Além disso, os envolvidos se comprometeriam a contratar um avaliador indicado pela CVM para revisar os ativos. Caso o novo laudo apontasse um valor inferior ao inicial, eles deveriam pagar a diferença em dinheiro.
Guido Mantega virou consultor do Banco Master… antes mesmo de ser indicado para o conselho da Eletrobras.
Paulo Gala, economista-chefe do banco, é declaradamente alinhado ao governo Lula.
O Master criou um “comitê de notáveis” com ex-presidentes do Banco Central.Meirelles,… pic.twitter.com/oqzseupeMt
– o incorrupto (@theincorrrupt_) 1 de abril de 2025
Entretanto, o Comitê de Termo de Compromisso da CVM, respaldado pela Procuradoria Federal Especializada, rejeitou a proposta devido à gravidade das infrações. A decisão baseou-se na complexidade do caso, que envolvia possíveis manipulações no mercado secundário e ativos possivelmente superfaturados para integralização do fundo.
Proposta era insuficiente para compensar prejuízo dos investidores
A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários destacou que todas as empresas envolvidas no Brazil Realty FII estavam conectadas a cotistas do fundo. Esse fator foi considerado um agravante, pois indicou que as operações poderiam ter sido utilizadas para transferir recursos entre os envolvidos de maneira irregular.
A Procuradoria Federal Especializada também considerou o valor da proposta insuficiente para compensar o prejuízo sofrido pelos investidores, estimado em R$ 5,8 milhões.
O empresário mineiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e investidor da SAF do Galo, realizou uma luxuosa festa para comemorar o aniversário de 15 anos de sua filha.
O “line-up” do evento contou com a dupla de DJ’s internacionais The Chainsmokers, que estão no top 5 dos DJs… pic.twitter.com/95eemx5f5p
— Central do Galo (@CentralDoCAM) 7 de agosto de 2023
As investigações da CVM mostraram diversas irregularidades na emissão das cotas e na avaliação dos ativos do Brazil Realty FII, entre as quais:
- Descumprimento da Instrução 476 da CVM, sobre Oferta Pública de Cotas: A administradora do fundo não atendeu às exigências da CVM, como transparência para investidores. A oferta foi feita sem comprovar solicitação por cotistas, e alguns investidores sequer faziam parte do fundo, o que infringe as regras da oferta restrita.
- Avaliação fraudulenta de ativos: A Milo Investimentos usou um laudo questionável para integralizar cotas no valor de R$ 70 milhões. O documento apresentava inconsistências, inclusive uma superavaliação de R$ 56 milhões em um imóvel e ausência da assinatura do avaliador.
- Manipulação no mercado secundário: A CVM identificou que a administradora do fundo e a Entre Investimentos facilitaram operações fraudulentas para criar liquidez artificial nas cotas do fundo, o que prejudicou investidores, entre eles fundos de previdência.
Diante dessas conclusões, a CVM manteve a rejeição ao acordo, a fim de reforçar a seriedade das infrações e suas implicações para o mercado de capitais.