Conheça as cultivares de amora-preta da Embrapa
Atualmente, a Embrapa dispõe de cinco cultivares de amoreira-preta lançadas nos últimos dez anos e licenciadas junto a viveiristas para comercialização de mudas. O trabalho de melhoramento segue em curso na procura por reunir várias características numa única cultivar. A teoria também é ofertar diferentes cultivares, algumas mais precoces e outras mais tardias do que a Tupy, de maneira a ampliar o período de colheita.
Com relação ao sabor, o objetivo é desenvolver materiais com relação açúcar-acidez mais subida com foco no mercado in natureza. “O mercado brasileiro prefere sabor mais doce”, afirma Raseira.
Aliás, o programa de melhoramento procura confederar outra particularidade relevante ao campo: a escassez de espinhos, reduzindo dificuldades na colheita. Porém, segundo a pesquisadora, a maioria das variedades sem espinhos possui sabor amargo preponderante, sendo mais adequadas à indústria, uma vez que é o caso das cultivares Ébano e BRS Xavante. “A BRS Karajá tem sabor menos amargo, mas ainda não chegamos no que queríamos. A cada geração, vamos avançando um pouco mais”, explica.
O trabalho também procura o desenvolvimento de cultivares remontantes ou reflorescentes – que podem produzir no outono e no verão, mesmo sem tratamento privativo uma vez que ocorre com a Tupy. Aliás, também são valorizados aspectos uma vez que tamanho da fruta, resistência a doenças, produtividade igual ou maior do que a Tupy, tamanho pequeno das sementes, firmeza e conservação pós-colheita.
Amora-preta BRS Xingu (2015)
Desenvolvida para condições de inverno brando, destaca-se por sua maturação mais tardia do que a Tupy, que permite estender o período de colheita em duas semanas, em média. Em avaliações durante seis safras, também apresentou produção média de 800g a mais de frutas por vegetal do que a cultivar Tupy, considerada referência. A firmeza garante boa conservação pós-colheita. É indicada para os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, na região Sudeste; e Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na região Sul. A BRS Xingu pode ser utilizada para comercialização in natureza ou para elaboração de doces, principalmente geleias, desidratados, sucos, iogurtes e sorvetes.

Foto: Paulo Lanzetta (BRS Xingu)
Amora-preta BRS Cainguá (2019)
Tem magnífico roboração para o consumo in natureza devido à ótima aspecto e ao estabilidade entre acidez e açúcar. Precisa de 200 a 300 horas de acúmulo de indiferente invernal (temperaturas iguais ou menores que 7,2 °C) para apresentar uma boa produção. Foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições.


Foto: Lirio_Reichert (BRS Cainguá)
Amora-preta BRS Ticuna (2023)
Cultivar altamente produtiva destinada ao processamento, uma vez que opção para a produção de geleias e sucos, por apresentar subida acidez. Um hectare pode render até 20 toneladas de frutas, sendo considerada uma das cultivares mais produtivas, o que faz superar a cultivar referência que é a BRS Tupy. É resistente a doenças e indicada para o cultivo em sistema orgânico, sendo necessário o controle de ferrugem e cuidados com a mosca das frutas (Anastrepha fraterculus) e com a Drosófila da Asa Manchada (Drosophila suzukii). É adaptada aos estados da região Sul do Brasil.


Foto: Francisco Lima (BRS Ticuna)
Amora-preta BRS Karajá (2024)
Cultivar sem espinhos, o que facilita o manejo, mas com moderada acidez. Suas frutas, de coloração preto-avermelhada, são de tamanho médio – volume média de 4,5 g por fruta – e formato ovalado, com sabor doce-ácido levemente amargo. São recomendadas para frigoríficação, processamento ou consumo fresco. A produção média é de 1,4 kg por vegetal.


Foto: Rodrigo Franzon (BRS Karajá)
Amora-preta BRS Terena (2024)
Com características uma vez que sabor mais gulodice, longa conservação e fácil manejo, representa um progresso significativo para o cultivo de amoreiras-pretas no Brasil e promete ser uma aliada importante para produtores em procura de qualidade e lucro. Com produção média de 1,2 kg por vegetal, com picos de produção de até 1,8 kg, a BRS Terena oferece aos produtores um potencial de lucro líquido superior a R$ 30 milénio por hectare, além de vantagens operacionais, uma vez que menor densidade de espinhos, que facilita o manejo e a colheita.