Vamos ver. Se a morte de Clezão e a prisão de idosos, mulheres mães de crianças pequenas e doentes não sensibilizaram ninguém, e se o mais recente e sórdido caso de increpação perpetrado por um ministro do STF não sensibilizou ninguém, quem sabe a morte do esquilo Peanut e do guaxinim Fred consiga ilustrar o transe que é o Estado interventor e cada vez mais dominador. Quem sabe…!
Cuticuti
Confira:
Pois a essa profundeza você já deve saber a história de Peanut. O esquilo foi resgatado por Mark Longo, que cuidava dele uma vez que bicho de estimação. Não sei se você já viu um esquilo, mas eles são simpáticos ratos com uma rabo fofinha e trejeitos cuticutis. Apesar de toda a simpatia, são animais silvestres e podem transmitir doenças. Por isso Novidade York, onde tudo aconteceu, proíbe que se tenha esquilos uma vez que animais de estimação.
Vizinha chata
Peanut, porém, não era unicamente um esquilo. Ele era também o mascote de uma ONG de proteção dos animais – uma daquelas causas nobres que foram sequestradas pela esquerda. Ao lado de seu “amigo” Fred, um guaxinim, eles faziam sucesso na Internet. Uma vizinha incomodada com os animais, porém, achou por muito denunciar Longo ao Estado. Até aí, tudo mais ou menos muito. Chatinha, a vizinha, mas ela estava em seu “direito”. O problema foi o que o Estado fez em seguida.
Tule (lembram dela?)
O Estado invadiu a lar de Mark Longo, capturou Peanut e Fred e, sob alguma justificativa sanitária qualquer (está se lembrando de todas as insanidades cometidas durante a pandemia?), abateu, sacrificou, eutanaziou ou simplesmente matou os bichinhos. Por falar nisso, alguém sabe expressar o que aconteceu com a Tule, a capivara do Agenor? O caso norte-americano é muito parecido com o brasiliano, mas ganhou o mundo nas últimas horas porque há uma eleição ocorrendo lá nos Estados Unidos.
Trump x Kamala
Uma eleição que opõe muito mais do que Donald Trump e Kamala Harris. A disputa, tanto lá quanto cá, é e continuará sendo entre um Estado que reconhece e respeita seus próprios limites e um Estado que se considera onipotente. Em outras palavras, um Estado que serve a sociedade e um Estado que acha que a sociedade existe para servi-lo.
E o quéco?
Mas a esta profundeza, já no sexto parágrafo do texto, você que é sempre muito paciente deve estar se perguntando: o que é que esse esquilo estadunidense tem a ver com os presos do 8/1 e com o indumento de um ministro do STF, Flavio Dino, ter mandado tirar de circulação livros jurídicos porque eles conteriam trechos ofensivos a determinado segmento da sociedade? A resposta é simples: o poder infinitamente maior do Estado em relação ao cidadão.
Escravidão
Um poder que, se fosse usado unicamente para o muito, vá lá! Mas a gente sabe que isso é impossível. Porque o Estado é feito de pessoas – e não necessariamente das melhores e mais bem-intencionadas. Por isso o Estado precisa ser o tempo todo fiscalizado e contido. Senão vira fascismo. Vira vexação, injustiça e increpação. Se o Estado não puder ser fiscalizado e criticado (uma vez que querem no Brasil certas pessoas), e se for comandado por pessoas que se guiam por valores morais totalmente deturpados, a relação entre ele e o cidadão generalidade se torna uma de escravidão. E a gente sabe muito muito quem, nessa relação, comanda o chicote.
Esquilos, guaxinins e capivaras
Lá nos Estados Unidos dizem que o caso de Peanut & Fred pode influenciar a eleição presidencial. Quanto a isso, tenho lá minhas dúvidas, mas… tomara! Assim quem sabe possamos, por influência, entender de uma vez por todas que o Estado é uma tecnologia formidável, um progresso civilizacional que, em mãos erradas, se torna um monstro capaz de ocasionar muito sofrimento. Não só a esquilos, guaxinins e capivaras.