Um dia depois de uma pesquisa Genial/Quaest confirmar a queda de sua popularidade, Lula fez, nesta quinta-feira, 3, um evento em Brasília para marcar dois anos de governo. Com promessas de campanha ainda pendentes, o petista reapresentou medidas antigas e afirmou ter encontrado o país em “ruínas” ao reassumir o cargo.
O ato também marcou o lançamento da campanha “O Brasil é dos brasileiros”, em contraponto ao presidente dos EUA, Donald Trumpe aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que veem o governo norte-americano de modo positivo.
O lema será veiculado em rádios e TVs e começou a ser usado por aliados de Lula para confrontar diretamente a frase “Torne a América ótima de novo”, usada por Trump e adaptada por apoiadores de Bolsonaro como “Torne o Brasil ótimo de novo”.
Que força é essa que o Brasil tem, que faz a gente ser quem a gente é? Essa é a nossa força, o nosso jeito de acolher. Com muito trabalho estamos dando a volta por cima para avancar ainda mais. O Brasil é dos brasileiros 🤝🇧🇷 pic.twitter.com/zgaftxwfvh
— Lula (@LulaOficial) 4 de abril de 2025
Lula criticou o “tarifaço” anunciado pelo presidente dos EUA. O discurso é para reforçar a narrativa de que o governo petista defende os interesses do povo brasileiro. O evento destacou números positivos da gestão, como a geração de empregos, e incluiu depoimentos de apoiadores.
Além disso, vídeos em tom eleitoral promoveram programas como o Mais Médicos e o Bolsa Família.
“É a reconstrução de um país deixado em ruínas pelo governo anterior. O Brasil é um país que volta a sonhar com esperança, com mais desenvolvimento, mais inclusão social”, disse Lula, em crítica à gestão de Jair Bolsonaro. “Ainda há muito a ser feito. Precisamos da união de todos para derrotar o ódio e a mentira.”
Sidônio pensou em reduzir dimensão do evento
O ministro da Secretaria de Comunicação SocialSidônio Palmeira — responsável pela campanha de Lula — se irritou com falhas técnicas na exibição das imagens. Segundo o jornal O Globoele quis recuar da grandiosidade do evento de ontem depois de a pesquisa divulgada na véspera mostrar a desaprovação ao governo em alta e descolada da aprovação.
Palmeira considerou reduzir a grandiosidade do evento. Ele quis desistir de realizar a solenidade em um centro de convenções brasiliense e abrigá-la no Palácio do Planalto, mas Lula quis manter o que estava combinado.
Em busca de recuperar a popularidade, Lula apresentou novas ações, como a reformulação do programa Celular Seguro e o envio ao Congresso do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês. “Novos anúncios estão chegando”, afirmou. “O Minha Casa Minha Vida passará a beneficiar também a classe média.”
Na noite anterior, durante um jantar com parlamentares na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Lula justificou a queda de popularidade ao dizer que o governo tem boas ações, mas ainda não encontrou uma “narrativa” que sensibilize um público mais amplo.
Quando cheguei pela terceira vez à Presidência, minha sensação foi a de uma pessoa que volta para casa depois de muito tempo e só encontra as ruínas. Um trabalhador rural que volta ao campo para plantar e encontra a terra arrasada.
O Brasil era essa casa em ruínas, essa terra…
https://diclotrans.com/redirect?id=41928&auth=49e94614f6987ef93673017ac5a16616c706109f— Lula (@LulaOficial) 3 de abril de 2025
Lula esquece promessas de campanha
Durante o evento desta quinta-feira, o presidente não mencionou as promessas de campanha não cumpridas. A picanha, símbolo da promessa de reduzir a inflação dos alimentos, foi destaque no palanque e na propaganda. No entanto, dados do IBGE indicam que a carne subiu 20,8% em 2024.
Lula também havia prometido, ainda em 2022, reformular o sistema penitenciário, “separando presos por grau de periculosidade”, com trabalho e educação para ressocialização, e que criaria universidades de segurança pública para qualificação dos profissionais da área. Nenhuma das iniciativas avançou.
A regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores de aplicativo também segue sem previsão de implantação, apesar de um projeto ter sido enviado ao Congresso.
Veja as promessas ainda não cumpridas de Lula:
- Picanha barata: Apesar da promessa de campanha de reduzir o preço da carne, o valor subiu 20,8% em 2024, segundo o IPCA;
- Segurança pública: A criação de um Ministério da Segurança Pública, para melhorar, entre outros pontos, a formação de policiais militares, e a reorganização do sistema penitenciário não avançaram;
- Autoridade climática: A proposta de criar um órgão voltado à formulação de políticas ambientais está parada na Casa Civil;
- Demarcações indígenas: Lula prometeu demarcar 14 territórios nos 100 primeiros dias. Apenas 13 foram demarcados;
- Motoristas de aplicativo: O projeto de regulamentação foi enviado ao Congresso, mas enfrentou resistência da categoria e segue sem previsão de entrega.