(JR Guzzopublicado no jornal O Estado de S. Paulo em 4 de dezembro de 2024)
O ministro da Rancho anuncia, depois meses seguidos de reflexão, um pacote para cortes indispensáveis no gasto público — mas o governo do qual faz segmento é contra quase tudo o que há no pacote. Os cortes propostos, na maior segmento, estão mais no mundo da contabilidade do que no mundo das coisas reais. Não se pode trinchar zero nos ministérios rigorosamente inúteis que o presidente criou. Não se pode trinchar zero dos militares. Não se pode trinchar zero na folha de pagamento do Judiciário — o mais dispendioso do mundo.
O presidente da República, justo numa hora dessas, manda que se prepare um “programa” para erigir banheiros nas casas dos mais de 4 milhões de brasileiros que não têm um — viu isso num programa de televisão, quer “providências” e já ameaçou as possíveis objeções dizendo que fazer banheiros com numerário público “não é despesa”. Pode até não ser, mas vai ser preciso remunerar os tais banheiros — e, de mais a mais, não se explicou uma vez que vincular a coisa toda a redes de saneamento que não existem para 90 milhões de pessoas.
A dívida bruta do governo, segundo acaba de anunciar o Banco Medial, bateu no recorde histórico de R$ 9 trilhões; quase R$ 2 trilhões disso aí foram somados no Lula 3. O governo está tendo déficit há 16 meses seguidos. Viveu um pouco no azul, com o caixa que recebeu da gestão anterior, mas torrou tudo e passou a gerar dívida. A comitiva solene do Brasil na última quermesse do “clima” feita na Ásia foi de quase 2 milénio gatos gordos com crachá de mando — a maior do mundo.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
O Correio, que o governo retirou da lista de privatizações, anunciou que está em situação de insolvência; o Tesouro Pátrio vai ser obrigado a socar numerário em cima, se não a empresa fecha. O “Janjometro”recém-criado, passou de R$ 63 milhões em 1º de dezembro. O governo propõe uma anistia para a roubalheira crônica que as administrações Lula-Dilma criaram nos fundos de pensão das estatais – da mesma forma uma vez que o STF anistiou a Odebrecht e a J&F de pagarem os R$ 18 bilhões que deviam ao Tesouro, por prevaricação confessa .

Mais itens na lista do governo Lula
A lista vai embora, e nem o governo tem a menor teoria de onde ela poderia perfazer. Tudo muito, a vida é mesmo dura para o brasiliano que tem de remunerar cada centavo dessa sangria desatada. Mas a pergunta que fica é muito simples: o que “o mercado” tem a ver com tudo isso? Lula e a maioria extremista do seu governo, desde sempre, fazem discursos coléricos contra “o mercado”. Jogam nele toda a culpa por tudo o que está incorrecto na economia. Mas qual das coisas descritas supra foi feita pelo mercado? Nenhuma.
Não foi “a Faria Lima”, uma vez que dizem eles, que mandou 2 milénio magnatas para um lugar chamado Bacu. Não foi “a Faria Lima” que quebrou os Correios, nem provocou os 16 meses de déficit e nem gastou um tostão dos R$ 9 tri da dívida bruta. Não foi “a Faria Lima” que perdoou a dívida dos ladrões, e não é ela que está querendo gerar o Bolsa Banheiro. Não foi “o mercado”, com certeza, que escreveu o pacote do ministro Haddad.
Leia mais:
O extremo lulismo, revoltado, diz que “a Faria Lima quer sangue”, mas que o governo resiste heroicamente às “pressões” desses milionários desocupados e não vai deixar que tirem comida da boca dos “pobres” etc. etc. O “mercado” não quer tirar zero dos “pobres”, não quer que o dólar passe de R$ 6 e não quer que o Brasil vá a falência. Mais que tudo, não gasta um único centavo do Tesouro — e é o gasto do Tesouro que provoca inflação, força os juros para cima e faz o câmbio ir para o espaço. Tudo o que o mercado faz é responder às realidades.
“Em dois anos, Lula não governou. Só gastou”
JR Guzzo
Lula acusa o “mercado” pelos sintomas, mas é o seu governo que está criando a doença. Tudo o que sabe proferir é que o Brasil vai ter um propagação de 3% oriente ano — uma vez que se 3% de propagação fossem mudar alguma coisa no mistério social, tecnológico, educacional, burocrático ou permitido no qual se afunda hoje o país. Os níveis de pobreza, delongado, instabilidade, ignorância e subdesenvolvimento do Brasil atual não foram criados pelo “mercado”, e não faz segmento das suas obrigações melhorar qualquer um deles.
Quem tem de resolver esses problemas é quem se dispõe a governar — e não “a Faria Lima”, que não é responsável por absolutamente nenhuma decisão do governo. Em dois anos, Lula não governou. Só gastou. Tem mais dois anos para consertar, pelo menos em segmento, as depredações do seu vandalismo fiscal. Mas o problema do governo Lula, no caso, não é falta de tempo. É a flagrante falta de vontade de consertar o que quer que seja.
Leia também: “O anão sendo anão”, cláusula de J. R. Guzzo publicado na Edição 244 da Revista Oeste