Pagamentos estão em xeque com a liquidação do Will Bank: quem vai quitar R$5,1 bilhões? A disputa entre Mastercard e as maquininhas revela falhas de responsabilidade no arranjo de pagamentos e riscos práticos para lojistas.
O caso Will Bank e o rombo de R$5,1 bilhões
O Will Bank entrou em liquidação e deixou um rombo estimado em R$5,1 bilhões. Muitos comerciantes e credenciadoras ficaram sem receber.
O que ocorreu
A instituição parou de liquidar transações e de repassar valores aos lojistas. Pagamentos feitos por cartão não chegaram às contas dos vendedores. Isso gerou um buraco no fluxo de caixa de empresas de todos os tamanhos.
Como surgiu o rombo
Parte do problema vem da antecipação de recebíveis. Na prática, a fintech adiantou vendas futuras e assumiu risco por elas. Quando as vendas não foram liquidadas, faltou dinheiro para cobrir os adiantamentos. Também há relatos de cancelamentos em massa e devoluções, que aumentaram o rombo.
Quem participa do arranjo de pagamentos
No centro estão bandeiras, credenciadoras e bancos. A bandeira, como a Mastercard, define regras e cobra taxas. A credenciadora, chamada de maquininha, captura a venda e faz a liquidação. O Will Bank atuava como intermediário entre esses elos.
Quem pode ser responsabilizado
As disputas hoje tentam definir quem arca com a perda. Bandeiras alegam que não fazem a liquidação final. Credenciadoras afirmam que seguem regras e contratos firmados. No fim, a questão deve passar por análise contratual e, possivelmente, decisões regulatórias.
Impacto para lojistas
Lojistas podem enfrentar falta de caixa e dificuldades para pagar fornecedores. Muitos dependem dos valores das vendas em cartão para operar. Recomendam-se registros claros das vendas e comunicação rápida com a credenciadora. Negociar prazos e buscar alternativas de recebimento pode ser necessário.
O que observar adiante
O Banco Central e órgãos de defesa do consumidor podem intervir. Esperam-se apurações sobre a gestão e garantias exigidas. A solução pode envolver ressarcimento, acordo entre empresas ou medidas judiciais. Fique atento às comunicações oficiais e às orientações práticas para lojistas.
Responsabilidade no arranjo de pagamentos: bandeiras x credenciadoras
Pagamentos envolvem várias partes: bandeiras, credenciadoras e instituições financeiras que operam as transações.
Função das bandeiras
As bandeiras definem regras, normas e tarifas para aceitar cartões. Elas não processam pagamentos diretamente. Em geral, elas garantem a segurança e a interoperabilidade entre sistemas.
Função das credenciadoras
As credenciadoras, ou maquininhas, capturam a venda e encaminham os dados. Elas são responsáveis pela liquidação e pelo repasse ao lojista, segundo contratos firmados. Muitas vezes, elas contratam bancos ou fintechs para fazer a liquidação.
Fluxo de dinheiro e pontos de falha
Uma venda sai da maquininha e passa pela credenciadora. Em seguida, a bandeira e bancos validam e liberam os recursos. Falhas em qualquer etapa podem travar o repasse ao vendedor. Isso explica por que um problema numa fintech gera impacto amplo.
Antecipação de recebíveis explicado
A antecipação é quando a credenciadora adianta valores ao lojista. Em troca, ela assume o risco e cobra uma taxa. Se o operador não receber os pagamentos depois, falta dinheiro para cobrir esses adiantamentos.
Responsabilidade contratual e técnica
Quem responde depende do contrato entre as partes. Procure cláusulas sobre liquidação, garantias e limites de responsabilidade. Também verifique SLAs, que são acordos de nível de serviço, e registros de conciliação.
Chargebacks e devoluções
Chargeback é a contestação de uma venda pelo cliente. Bandeiras e adquirentes seguem regras específicas para apurar esses casos. Muitos estornos em massa podem agravar um rombo financeiro.
O que a regulamentação prevê
O Banco Central e órgãos de defesa fiscalizam o arranjo de pagamentos. Eles exigem transparência, reservas e controles. Em caso de insolvência, há procedimentos para proteger consumidores e lojistas.
Questões práticas para determinar culpa
Revisar relatórios de conciliação ajuda a identificar a falha. Procure extratos, protocolos e comprovantes de repasses. Esses documentos são chave para ações administrativas ou judiciais.
Comunicação entre as partes
É essencial notificar formalmente a credenciadora e a bandeira. Registre protocolos e prazos de resposta. Isso facilita eventual pedido de ressarcimento ou defesa em processos.
Impacto reputacional e operacional
Crises no arranjo de pagamentos abalam a confiança dos lojistas e consumidores. Empresas podem perder parceiros e ficar sem capital de giro. Planos de contingência são recomendados para reduzir danos.
Impactos econômicos para lojistas, credenciadoras e confiança no sistema
Impactos econômicos atingem lojistas, credenciadoras e a confiança no sistema de pagamentos.
Para lojistas
Lojistas podem ficar sem caixa para pagar fornecedores e despesas operacionais diárias.
Muitos dependem de repasses de cartões para manter o negócio funcionando diariamente.
A falta de pagamento pode levar a demissões ou redução de estoque.
Recomenda-se guardar comprovantes e monitorar extratos diariamente para provar as vendas facilmente.
Para credenciadoras
Credenciadoras podem enfrentar falta de liquidez e pressão financeira severa durante semanas.
Elas que antecipam recebíveis assumem risco quando a compensação falha em massa.
A reputação da maquininha e a confiança dos lojistas podem cair rápido.
Será necessário reforçar garantias, reservas e controles do mercado para recuperar a confiança.
No sistema de pagamentos
A crise reduz a confiança do consumidor no pagamento por cartão online.
Menos confiança provoca queda nas vendas e no uso das maquininhas imediato.
Bandeiras, bancos e reguladores podem rever regras e exigir capital mínimo.
O Banco Central pode pedir auditorias e medidas para proteger o mercado.
Medidas práticas
Lojistas devem registrar vendas, exigir comprovantes e checar repasses diariamente quando possível.
Credenciadoras precisam aumentar reservas e revisar políticas de antecipação imediatamente e comunicar riscos aos parceiros.
Consumidores tendem a procurar meio de pagamento alternativo em crises, como pix ou dinheiro.
Transparência nas comunicações ajuda a reduzir pânico entre clientes e lojistas imediatamente.
Fonte: RevistaOeste.com



