Competência concorrente e competência comum costumam confundir: quem faz leis e quem executa? Aqui você terá explicação direta, exemplos práticos e o que essa divisão realmente custa ao contribuinte.
O que é competência comum e sua base constitucional (Art. 23)
Competência comum é a atribuição compartilhada entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Ela trata de ações que todos podem realizar para proteger interesses da população.
O que prevê o Artigo 23
O Art. 23 da Constituição lista temas de atuação comum. Entre eles estão proteção ao meio ambiente, saúde, educação e assistência social. O texto autoriza vários entes a agirem simultaneamente no mesmo campo.
Como funciona na prática
Cada ente pode criar políticas, programas e ações para objetivos comuns. A execução pode variar conforme os recursos e a organização local. Nem sempre é preciso lei federal para todas as ações comuns.
Diferença básica para competência concorrente
Em competência concorrente, a União fixa normas gerais. Na comum, não há hierarquia normativa obrigatória entre os entes. Isso quer dizer que todos podem agir, sem substituir os demais.
Exemplos simples
- Meio ambiente: preservação, fiscalização local e educação ambiental.
- Saúde: campanhas de vacinação e vigilância sanitária compartilhada.
- Educação: programas locais que complementam a política nacional.
- Assistência social: serviços municipais integrados com políticas estaduais.
Para cidadãos, a competência comum traz mais serviços perto de você. Para gestores, exige coordenação e diálogo constante entre os entes.
O que é competência concorrente e o papel da União (Art. 24)
Competência concorrente é quando União, Estados e Distrito Federal podem legislar sobre o mesmo tema.
Papel da União
A União estabelece normas gerais que valem para todo o país.
Essas normas servem de base para regras estaduais e municipais.
Quando os estados podem agir
Se a União não editar norma geral, o Estado pode legislar sobre o assunto.
A lei estadual deve seguir os princípios da norma federal.
Como se resolve o conflito
Quando houver choque, a lei federal prevalece sobre a lei estadual.
O juiz avalia o ponto de conflito entre as normas.
O que são normas gerais
Norma geral define princípios e limites de aplicação nacional.
Detalhes e regras operacionais ficam por conta dos Estados e Municípios.
Execução administrativa
A execução das políticas costuma ficar com os estados ou municípios.
Coordenação entre os entes evita sobreposição e desperdício de recursos.
Exemplos práticos
- Uma lei federal define padrões mínimos.
- Estados adaptam normas às realidades locais.
- Municípios cuidam da execução e do atendimento direto.
A competência concorrente busca equilíbrio entre unidade nacional e soluções locais.
Diferenças essenciais: execução administrativa x produção legislativa
Execução administrativa é o trabalho prático para tornar leis e políticas reais.
O que é produção legislativa
Produção legislativa é a criação de leis e normas que orientam a ação pública.
Leis definem objetivos, limites e princípios que valem para todo o território nacional.
O que é execução administrativa
A execução administrativa coloca em prática as leis por meio de políticas e serviços públicos.
Aqui entram vacinas, fiscalizações locais e atendimento direto em postos de saúde.
Quem decide e quem age
Na competência concorrente, a União edita normas gerais e define parâmetros nacionais.
Estados detalham as regras e municípios cuidam da execução no dia a dia.
Exemplos práticos
Meio ambiente: a União fixa padrões, e estados fiscalizam e aplicam medidas locais.
Saúde: o padrão nacional orienta, mas municípios executam campanhas e serviços.
Norma geral
Norma geral é a regra que serve de base e integra diferentes leis locais.
Impactos no serviço público
Essa divisão influencia o serviço que você recebe na sua cidade ou bairro.
Boa coordenação entre entes evita sobreposição e melhora o uso do dinheiro público.
Exemplos práticos: meio ambiente, saúde, educação e proteção ao consumidor
Competência concorrente se vê em áreas como meio ambiente, saúde, educação e defesa do consumidor.
Meio ambiente
A União define padrões nacionais que buscam proteger recursos naturais e a biodiversidade.
Estados e municípios aplicam regras locais e fazem a fiscalização no campo.
- Licenciamento ambiental: regras nacionais orientam, estados e municípios emitem licenças locais.
- Unidades de conservação: gestão pode ser compartilhada entre entes federativos.
- Fiscalização e educação ambiental: ações municipais alcançam comunidades próximas.
Saúde
A União estabelece normas gerais de saúde pública e vigilância sanitária.
Estados e municípios adaptam programas e cuidam da execução localmente.
- Campanhas de vacinação: plano nacional, execução nos postos municipais.
- Vigilância sanitária: normas federais, inspeções estaduais e municipais.
- Rede de atendimento: hospitais estaduais e unidades básicas municipais atuam juntas.
Educação
A União define diretrizes nacionais, como parâmetros curriculares e metas educacionais.
Estados e municípios organizam escolas e adaptam ações ao contexto local.
- Currículo: diretrizes nacionais orientam conteúdos mínimos nas escolas.
- Infraestrutura: estados e municípios custeiam reformas e manutenção escolar.
- Programas de apoio: políticas nacionais podem receber execução local.
Proteção ao consumidor
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) define direitos básicos e regras para o mercado.
Estados e municípios apoiam aplicação e atendimento à população local.
- Atendimento ao consumidor: Procon municipal ou estadual recebe reclamações e orienta.
- Fiscalização de produtos: atuação conjunta para retirar riscos do mercado.
- Educação do consumidor: campanhas locais explicam direitos e formas de reclamação.
Em cada área, a prática mostra como a legislação nacional orienta e como a execução fica local.
Fontes de conflito: sobreposição administrativa e colisão normativa
Competência concorrente pode gerar conflitos entre União, Estados e Municípios no dia a dia.
Tipos de conflito
Dois tipos se destacam: sobreposição administrativa e colisão normativa entre leis.
Sobreposição administrativa
Sobreposição administrativa ocorre quando vários órgãos executam a mesma tarefa ao mesmo tempo.
Isso causa duplicidade, confusão de responsabilidades e uso ineficiente de recursos públicos.
- Licenciamento ambiental: agência federal define regras, mas estados e municípios também emitem licenças locais.
- Campanhas de saúde: União coordena, mas vacinação e logística ficam a cargo dos municípios.
- Fiscalização: órgãos diferentes podem autuar o mesmo estabelecimento por motivos parecidos.
Colisão normativa
Colisão normativa acontece quando leis diferentes tratam do mesmo tema de modo contraditório.
Na prática, isso gera insegurança jurídica e dúvidas sobre qual regra seguir.
Em competência concorrente, a lei federal costuma prevalecer em conflito de normas.
Exemplos de colisão
- Um Estado cria regra mais rígida que a federal sobre um produto. Surge conflito sobre aplicação.
- Município adota norma específica sobre exercício profissional. A norma federal pode sobrepor-se.
Como os conflitos são resolvidos
Conflitos frequentemente vão ao Judiciário para interpretação da Constituição e das leis.
O Supremo Tribunal Federal decide casos de grande impacto nacional nesse tipo de disputa.
Acordos administrativos e cooperação técnica também ajudam a evitar litígios repetidos.
Práticas que reduzem atritos
- Protocolos conjuntos entre entes evitam duplicidade de ações e tarefas.
- Consórcios públicos facilitam a execução integrada de políticas públicas locais.
- Planos de ação compartilhados alinham responsabilidades e reduzem custos operacionais.
Impactos econômicos e soluções: cooperação, segurança jurídica e custos ao contribuinte
Competência concorrente impacta o bolso do contribuinte e o ambiente de negócios.
Impactos econômicos
A duplicidade de ações públicas eleva despesas e gera desperdício de recursos.
Serviços sobrepostos também aumentam custos operacionais e causam trabalho redundante diário local.
Contribuintes acabam pagando mais impostos ou recebendo menos serviços eficientes pelo estado.
Segurança jurídica
Colisões normativas criam incerteza sobre qual lei deve ser aplicada no caso concreto.
A incerteza afasta investimentos privados e encarece projetos de longo prazo localmente.
Para reduzir isso, é preciso maior coordenação e regras claras entre os entes.
Soluções: cooperação e governança
Acordos e protocolos técnicos ajudam a alinhar responsabilidades e evitar duplicidade administrativa.
Consórcios públicos permitem dividir custos e prestar serviços mais eficientes localmente ao cidadão.
Leis claras e uniformes aumentam a segurança jurídica e atraem investimentos privados.
Mediação e mecanismos alternativos resolvem conflitos mais rápido e custam menos ao Estado.
Transparência nos gastos e planos conjuntos reduzem desperdícios e fortalecem a confiança pública.
Como o contribuinte percebe
Você sente filas menores, serviços mais rápidos e atendimento mais próximo na sua cidade.
Também pode notar menos desperdício do dinheiro público em serviços redundantes locais.
Fonte: RevistaOeste.com

