Milhares de famílias no Brasil precisam lidar com um problema que tem sido recorrente nos dias atuais: o autismo. Para ajudar as mães que vivem na luta para dar uma melhor condição aos filhos autistas, cientistas têm contribuído com estudos que se mostraram eficazes para ajudar as crianças que vivem nessa condição.
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Das pesquisas surgiram as terapias. Uma delas é a Análise do Comportamento Aplicada, conhecida como ABA. Esse tipo de tratamento é uma abordagem terapêutica que visa a ensinar habilidades e reduzir comportamentos atípicos nas crianças. Atualmente, clínicas espalhadas pelo Brasil estão preparadas para aplicar o exercício.
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Contudo, investigações da Polícia Civil sugerem que uma clínica localizada em Santo André, no ABC Paulista, tem se aproveitado das dores das famílias para cometer estelionato. É o caso da Religare Centro de Reabilitação, cujo dono é identificado como Alex Sandro José Firmino.
A empresa de planos de saúde Sul Américaque cobre algumas das terapias para autistas, acusa a Religare de fraudar reembolsos que seriam pagos às famílias.
Como o crime de estelionato é praticado, segundo a denúncia
Confira:
Em geral, os convêncios médicos não cobrem todas as terapias. Para que a família da criança não precise pagar pelos tratamentos que a empresa não dá suporte, é necessário entrar na Justiça. Em alguns casos, o juiz determina que a família pague pelo procedimento. O plano de saúde deve reembolsá-la depois.
Uma fonte consultada por Oesteque não quis se identificar, afirmou que a Religare manda uma pessoa em diferentes unidades de saúde para abordar mães cujo filho vive com essa condição. A pessoa conversa com os familiares e oferece tratamento “gratuito” na clínica.
Para que o convênio médico pague o reembolso, contudo, é necessário que a família apresente um laudo médico. A fonte mencionou uma advogada, que tem ligação com a clínica, que estaria forjando os documentos.
Algumas famílias não usufruem de um plano de saúde. Nesse caso, segundo mencionado pela fonte, essa mesma advogada oferece um “pacote” que inclui laudo, diagnóstico e um convênio médico para que a criança receba o tratamento — sem nenhum custo. A advogada faz todo o procedimento judicial para que o convênio faça o reembolso.
O documento da denúncia, que Oeste teve acesso, informa que a advogada é identificada apenas como Ariel.
“Há fortes indícios, portanto, de que advogados vinculados à Religare sejam indicados aos pacientes com o objetivo de favorecer indevidamente os interesses da clínica”, informa o documento da denúncia.
Enquanto realiza o tratamento, a clínica emite uma nota fiscal das terapias realizadas. O objetivo é enviar os recibos para que o convênio médico cubra os procedimentos. A intenção é receber o dinheiro do pagamento que nunca foi efetuado pelas famílias das crianças.
A fonte informou a Oeste que os funcionários da clínica acrescentam no recibo tarapias que não foram realizadas. “Funcionários vão buscar a criança em casa, dizem que não será cobrado o serviço”, informa a fonte. “Entretanto, colocam no recibo o percurso como se fosse uma terapia realizada.”
Clínica especializada em autismo faturou quase R$ 50 milhões em dois anos de forma ilícita
Segundo a denúncia, a clínica Religare faturou quase R$ 50 milhões de forma ilícita de janeiro de 2022 a julho de 2023, em razão das fraudes.


Em alguns casos, funcionários da Religare realizam solicitações de reembolso por meio do uso de Conecte-se e senha pessoais dos responsáveis pelas crianças.
“O beneficiário recebe o valor do reembolso, mediante a fraude perpetrada”, diz o documento da denúncia. “Depois, transfere a quantia recebida à clínica Religare.”
Outro trecho da denúncia afirma que o responsável da criança com as iniciais L.F.R “revelou que tal procedimento de solicitação de reembolso seria adotado pela própria Religare”. A pessoa demonstrou “desconhecer os valores cobrados pela clínica”.
Clínica cobrou por serviços não prestados, diz denúncia
Além disso, “muitas cobranças de reembolso à Sul América abarcam datas que não foram realizados atendimentos”. Ou seja, a clínica cobrou do plano de saúde por serviços não prestados em algumas datas.

A fonte consultada por Oeste também afirmou que a clínica se encontra em más condições. Há, por exemplo, brinquedos sem pilhas e comida estragada.
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Além disso, há, dentro da clínica, uma cabine de fonoaudiologia falsa, segundo informou a fonte. Também há relatos de maus-tratos em crianças como esganamento e abuso sexual.