O Banco Meão deu um “puxão de orelha” no governo Lula ao falar, nesta quarta-feira (11), o aumento de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, que chegou a 11,25% ao ano.
A decisão reflete não unicamente o nível de inflação, mas a preocupação com os gastos do governo. No transmitido pós-reunião, o O Comitê de Política Monetária (Copom) enfatizou que “a percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal tem afetado, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco e a taxa de câmbio”.
O Copom foi unânime em sua decisão, com os nove integrantes concordando com o ajuste. Quatro deles foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – entre eles o atual diretor de política monetária e horizonte presidente da mando monetária, Gabriel Galípolo – e cinco, por Jair Bolsonaro (PL), entre eles o atual presidente, Roberto Campos Neto.
Dados do Banco Meão mostram que o setor público consolidado (governos federalista, estadual e municipal, além de estatais) registrou 15 meses consecutivos de déficit primitivo até agosto, com despesas superando a arrecadação em 2,26% do PIB. O governo federalista é o principal responsável por esse rombo.
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Outra preocupação é o endividamento público, que em agosto atingiu 78,5% do PIB, o maior nível em quase três anos. Desde o início do terceiro procuração de Lula, em janeiro de 2023, a dívida cresceu quase sete pontos percentuais.
O Copom enfatizou a premência de uma política fiscal robusta para prometer a sustentabilidade da dívida e a realização de medidas estruturais para o orçamento fiscal.
Os diretores do Banco Meão acreditam que essa estratégia ajudará a aproximar a inflação, no médio prazo, da meta de 3% estabelecida pelo Recomendação Monetário Pátrio (CMN).Desde 2020, o IBGE registrou unicamente seis ocasiões em que a inflação acumulada em 12 meses foi subordinado a 4%. As expectativas do mercado para o IPCA em 2024 eram de 3,9% em janeiro, mas subiram até chegar a 4,59% nesta semana, nível supra do teto da meta (4,5%).
Governo Lula precisa ser mais hábil para ajustar contas públicas, dizem analistas
Cláudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos, destacou a premência de “celeridade do governo” no desenvolvimento de medidas estruturais para lastrar o orçamento. Ele alertou que a atuação do Banco Meão no combate à inflação não será suficiente sem um suporte fiscal adequado.Raphael Vieira, co-head de investimentos da Arton Advisors, reforçou que uma política fiscal crível é fundamental para moderar a desancoragem das expectativas de inflação e estabilizar a taxa de câmbio. As medidas precisam ser estruturais, destacou Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú.
Pacote de incisão de gastos será negociado com Câmara e Senado
O governo federalista está debatendo um pacote de medidas para trinchar gastos e tentar reequilibrar as contas públicas. Uma reunião entre Lula e os ministros da Quinta, Planejamento e Gestão foi marcada para esta manhã para discutir o projecto, que incluirá uma proposta de emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei complementar.
O ministro Fernando Haddad afirmou que faltavam unicamente “dois detalhes” para finalizar o projecto, que será discutido com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Roodrigo Pacheco (PSD-MG), antes de sua divulgação.
Haddad destacou que as decisões foram baseadas na viabilidade fiscal e nas chances de aprovação política, mantendo cautela para certificar suporte no Congresso.
Na quarta, Lula disse durante entrevista à RedeTV que conhece a “gana especulativa do mercado”, afirmando que o governo não pretende fazer o incisão sobre “o ombro de pessoas mais necessitadas”. Ele questionou se Congresso e empresários aceitam penetrar mão de emendas e subsídios.
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