Quando o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, promoveu no final do ano pretérito um referendo para assinar “medidas” para anexação da região guianense do Essequibo – uma reivindicação de Caracas desde o final do século XIX –, muitos analistas mencionaram o suporte da Rússia e do Irã ao regime chavista.
Entretanto, também destacaram que, com Moscou e Teerã ocupadas com as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, respectivamente, as chances de darem suporte decisivo caso Maduro invada a Guiana são reduzidas.
O agora ex-ditador da Síria, Bashar al-Assad, sentiu na pele os efeitos dessa indefinição no término de semana pretérito. Sem suporte da Rússia e do Irã, que o haviam ajudado na guerra social contra os rebeldes sírios iniciada em 2011, o tirano teve que deixar o país às pressas, rumo a Moscou.
Assad aprendeu um tanto que a Armênia já havia sentido em 2023: não anda sendo bom negócio incumbir na Rússia.
Em meados do ano pretérito, o governo armênio já vinha alegando que a Rússia havia se longínquo do compromisso de protegê-la do vizinho Azerbaijão, que tem capacidade militar maior.
Armênia e Rússia fazem secção, junto de Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão, da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma espécie de “OTAN da Rússia”, que, assim uma vez que a coligação militar do Poente, estabelece que um ataque a qualquer um dos seus membros deve ser respondido pelos outros. Porém, na crise com o Azerbaijão, a Armênia viu que tal compromisso não passava de conversa fiada.
Os dois países, ambos ex-repúblicas soviéticas, tinham uma divergência histórica sobre a região de Nagorno-Karabakh, localizada dentro do Azerbaijão, mas que possuía população étnica armênia.
O impasse foi resolvido de forma trágica em seguida uma operação do Azerbaijão no enclave em setembro do ano pretérito. Devido à ofensiva militar, praticamente toda a população de 100 milénio habitantes de Nagorno-Karabakh fugiu para a Armênia e o governo separatista de Artsakh, que controlava secção do enclave, assinou um decreto para dissolver todas as suas instituições estatais.
Forças de sossego da Rússia intermediaram um concordância de cessar-fogo, mas não atuaram para repelir a invasão. Diante da inação de Moscou, os armênios aumentaram seus gastos com resguardo e se aproximaram do Poente para parcerias na espaço. Em junho deste ano, anunciaram que, numa data a ser confirmada, deixarão a OTSC.
No prelúdios de dezembro, num debate no Parlamento da Armênia, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan disse que já considera que o país está “fora da OTSC” e que o retorno armênio à organização está “cada vez mais difícil, se não impossível”. “Acredito que passamos do ponto de não retorno”, enfatizou.
Rússia estava insatisfeita com postura de Assad
A falta de resposta russa diante da ofensiva contra Assad foi entendida uma vez que um revérbero do foco de Moscou na guerra contra a Ucrânia, uma vez que destacou o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, num post na sua rede social, Truth Social.
“A Rússia, por estar tão enrolada na Ucrânia, e com a perda de mais de 600 mil soldados lá, parece incapaz de parar esta marcha literal através da Síria, um país que eles protegeram durante anos”, afirmou o republicano.
Porém, Nicole Grajewski, pesquisadora do think tank americano Fundo Carnegie para a Silêncio Internacional, apontou um substância extra: tanto Irã quanto Rússia estavam insatisfeitos com Assad, e por isso não fizeram zero para salvá-lo da queda.
“Ambas as potências ficaram cada vez mais frustradas com a intransigência de Assad. Para a Rússia e o Irã, Assad era o homem deles [apenas] até não ser mais”, apontou num item.
“No início de 2024, tanto o Irã quanto a Rússia mudaram sua postura sobre o presidente [sic] sírio. A Rússia ficou particularmente indignada com as repetidas violações dele do acordo de desescalada [na região] de Idlib e a resistência obstinada a qualquer forma de acordo negociado”, escreveu Grajewski.
Independentemente dos motivos russos, deixar aliados na mão gera consequências para o Kremlin: o vice-almirante reformado americano Robert Murrett, vice-diretor do Instituto de Políticas de Segurança e Recta da Universidade de Syracuse, disse à revista Newsweek que a queda de Assad é “um golpe enorme” para o prestígio da Rússia no Oriente Médio, já que a Síria era “absolutamente vital para os ativos da Marinha russa operando no Mediterrâneo”.
“Eles [russos] podem tentar manter algum território por lá com o novo governo, mas mesmo isso é meio forçado, considerando todo o apoio que eles forneceram ao regime de Assad”, afirmou Murrett, que previu “um caminho pela frente difícil para os russos”.